E. M. Bounds: A Voz que Clama pela Oração
Edward M. Bounds (1835–1913), popularmente conhecido como E. M. Bounds, foi um clérigo da Igreja Metodista Episcopal do Sul, advogado e autor norte-americano. Ele é amplamente reconhecido como uma das vozes mais profundas sobre o tema da oração; um homem que soube, por experiência própria, o que significa viver de joelhos.
Embora a maioria de seus livros só tenha alcançado o grande público após o seu silenciamento na morte, sua mensagem atravessou gerações. Deus se agradou tanto deste homem de oração que o instruiu a escrever, permitindo que ele ainda hoje seja uma voz que clama por mais homens de oração — ministros comprometidos em revelar Deus ao povo, mas não sem antes levar o povo a Deus.
Entre seus diversos escritos, destaca-se a obra “O Poder Através da Oração”. Neste livro, Bounds lança um grito de denúncia contra ministros comprometidos com a avareza, com a satisfação dos próprios apetites e com a busca por bajulação e prazeres mundanos. Para o autor, tais homens têm seus ministérios arruinados e acabam se tornando condutores de almas para o inferno.
Bounds implora por homens dedicados a Deus, pois acredita que o homem é o método de Deus na terra. O homem que serve como instrumento divino é tocado, capacitado e moldado pelo Criador. Eles são como “tubos” por onde o óleo da unção flui para curar feridas mortais e dar vida aos moribundos.
O autor também exige um compromisso rigoroso com o tempo. Para ele, o lazer e o descanso devem limitar-se estritamente à necessidade de recompor as energias, evitando-se a negligência e a preguiça. O corpo humano inclina-se facilmente ao repouso e pode nos enganar, levando-nos a um lazer que cativa o coração para o mundo, fazendo-nos dedicar mais tempo às coisas terrenas do que às celestiais.
Ele adverte sobre o pregador que não foi “criado” por Deus e que nunca esteve nas mãos do Senhor como o barro nas mãos do oleiro. Esse pregador ocupa-se excessivamente com a estrutura do sermão, com a lógica do pensamento e com o impacto da sua eloquência, mas nunca buscou as profundezas de Deus.
Ele nunca ouviu o cântico dos serafins, nunca teve a visão da glória divina, nem sentiu o peso daquela santidade terrível que gera o total abandono de si e o desespero diante da própria fraqueza. Sem essa experiência no secreto, o ministro torna-se um fracasso e, pior, engana os outros com sermões que, em vez de vivificar, matam.
Ao pregador, é ordenado estar com o seu Senhor em oração. Para exercitar a abnegação, ele deve olhar para o Mestre que, “levantando-se muito antes do amanhecer, saiu e foi para um lugar deserto, e ali orou”.
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